31 de dezembro de 2010

É tempo de brilhar!

Que os fogos risquem o céu e celebre este novo ciclo. Hoje é dia de olhar para frente e acreditar nas perspectivas que a esperança desta nova era nos reserva. Recarregar as baterias é imprenscindível para que você viva intensos momentos. Olhe para o horizonte e acredite: agora é tempo de mudar, é tempo de ser feliz, de atrair energias positivas e comemorar a vida. Das coisas que aconteceram neste ano que se passa, leve para o novo ano os aprendizados e os momentos que valeram a pena. Não despreze as tristezas e nem as fraquezas que aconteceram. Embora sejam inevitáveis, elas nos ajudam a crescer como ser humano, nos faz mas experientes diante da vida. E são essas "liçõezinhas" que devem ir para a nova fase. Tire os ciscos dos olhos, muitas das vezes eles nos impedem de ver a beleza de um mundo criado com divina perfeição. Refresque-se, divirta-se, vá a lugares que você nunca foi e aproveite cada minuto na descoberta da novidade. Desfrute de novas experiências e descubra que seu universo de conhecimento pode ser ampliado em todas as manhãs. Aceite as diferenças, pregue a partilha e respire o ar fresco das manhãs. Caminhe pelo menos por 30 minutos, além de fazer bem para saúde, desperta a observação. Conheça a noite, mas saiba aproveitar a liberdade da qual você desfruta. Relacione-se com pessoas que pensam diferente de você, cultive a amizade e descobrirás a importância que o outro tem para a sua vida. Não despreze os velhos amigos. Corra atrás daqueles que andam sumidos. Dê um "alô", mande um carta, um email ou mesmo um scrap. Mande uma mensagem dizendo o quanto eles são essencias para você. Marquem encontros, bebam (com moderação) e deem risadas. Se banhe pelo menos uma vez na chuva. Lave a alma se purificando com o orvalho. Sinta-se como os pássaros e voe ao máximo que puder. Trace metas, obejtivos, mas não deixe de cumprí-los. Mesmo com dificuldades, creia que você é bem mais, muito mais e que isso são apenas empecilhos para você desitir. Seja forte, supere e vibre. Você é um vencedor. Brinde um novo tempo. Somente com fé e coragem transformamos os sonhos em realizações e tudo aquilo que está ao nosso redor. Agradeça a Deus pelos 365 dias que se passaram e pelos próximos 365 dias que serão muito mais abençoados. Hoje é tempo de ser feliz, de acreditar que podemos caminhar muito mais do que pensamos. Dê um passo de cada vez, mas também não hesite em correr. Improvise, faça valer a pena e arrisque-se, sem perigo, claro. Respire profundamente um 2011 cheio de realizações, concretizações, conquistas e muito sucesso. Sáude, paz, prosperidade e sorte também não podem faltar. Muito amor, paciência, tolerância e dedicação. Para que esse ano tenha tudo isso e muito mais, saiba que o grande protagonista de sua vida é você mesmo. Tudo depende de um sim ou de um não. De escolhas. E que as suas sejam as melhores possíveis, cujas consequências estourem e brilhem no céu, dando um colorido a mais nesta festa chamada: VIDA...

Um abençoado e maravilhoso ano novo para todos nós!

30 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Fim de ano a rotina é sempre a mesma. Olhar para trás e relembrar os fatos mais importantes que marcaram o ano que se passou. Nos 365 dias que vivemos, cada momento contribuiu para mais um capítulo que entra para o livro de nossas histórias. Foram tantos as situações, boas ou ruins, mas que de alguma forma foram significativas e que serão importantes para os próximos passos a serem tomados. Vai se o ano, mas ficam registradas as cenas e os momentos que ele nos reservou. 2010 em 10 atos:

1* A primeira mulher a governar o Brasil


O Brasil votou e escolheu. Dilma Rouseff será a primeria mulher a governar a República Federativa do Brasil. Pelos próximos quatro anos, a força feminina regerá um país em ascenção, que cresce cada dia mais, mas que convive com sérios problemas na saúde, segurança e educação. A faixa está no peito de uma mulher de punho forte e com um grande desafio pela frente: governar para todos os brasileiros.

2* Das profundezas da Terra


O pedido de socorro veio debaixo. Os 33 mineiros soterrados no Chile foram os protogonistas da história mais impressionante de 2010. Depois de mais de 65 dias vivendo a 700 metros de profundidade, eles voltaram a enxergar o brilho do sol graças ao trabalho e ao engenho do ser humano. O resgate foi um sucesso e os mineiros foram exemplo de perseverança e força. Famosos pelo acaso.

3* Waka Waka

Não foi só a música da Shakira que embalou o evento esportivo mais famoso do mundo. A isso, soma-se a alegria do povo africano, o barulho das vuvuzelas, o gingado de Larissa Riquelme e as previsões de Paul, o povo. O resultado só pode ter sido uma festa de arromba, como diria Erasmo Carlos. Pena que não teve toques de verde, amarelo e azul. A taça parou nas mãos dos espanhóis, mas a alegria não faltou. A seleção brasileira foi um fracasso, o hexacampeonato ficou para 2014 e a África do Sul mostrou que também pode.

4* Um ano de tragédias

Dramas não faltaram. No ano em que a natureza mostrou sua força, o mundo foi surpreendido com terremotos que destruíram o Haiti e matou mais de 200 mil pessoas. No Chile, o fenômeno ainda que mais intenso, causou menos tragédias, mas ainda sim, os estragos levarão mais alguns anos para serem recuperados nos dois países.

5* Um rio de paz

A promessa de paz subiu aos morros cariocas. Os moradores da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão se banharam de esperança. As operações bem sucedidas da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, através da ação do BOPE e das Forças Nacionais (Exército, Aeronáutica e Marinha) foi comemorada pela maioria dos moradores e deram segurança para o recomeço de uma jornada carregada com paz.

6* Pelo buraco da fechadura

Bem no finalzinho do ano, um homem roubou a cena mundial. O australiano Julian Assange e o seu Wikileaks revelaram os bastidores das diplomacias mais influentes do mundo e provocou um alvoroço entre elas. As "boas intenções" de Assange foram vistas com maus olhos. De defensor da liberdade de expressão passou a ser inimigo nº 1 dos diplomatas.

7* Um mar de chuvas

As chuvas no Brasil projetaram imagens cinematográficas e consequentemente, cenas para se esquecer. Em meio a lama e escombros, provocado pelas enxentes, histórias de brasileiros marcados pelos fenômenos da natureza e que agora, se erguem para o começo de uma nova vida.

8* Questão sem solução

E mais um ano o problema vem de cima A prova do Enem, que para muitos estudantes é a entrada no ensino superior, apresentou novas problemas. Não bastasse o vazamento no ano passado, a prova deste ano veio com erros em seu gabarito. E mais uma vez quem pagou o pato foi o aluno. E a educação? Até quando conviveremos com esse problema?

9* "Pagode em Brasília"

A festa do mensalão, dos laranjas e as crises políticas também marcaram um ano de eleições. A baixaria tomou conta das campanhas eleitorais, o palhaço foi eleito o deputado mais votado e a política nacional ganha uma nova cara para os próximos quatro anos. Será que a história desta vez muda? Teremos políticos com fichas-limpas? Mais do que nunca, os olhos do Brasil se voltam para a capital federal. Agora é a hora da cobrança e do trabalho. Oremos.

10* O caso de um goleiro

Não foi o fracasso do Brasil na Copa do Mundo da África o destaque dos cadernos de esporte. Paralelamente a festa do futebol, o caso do goleiro Bruno imprenssionou e chocou o Brasil. Foi ele o mandante do crime que matou a modelo Eliza Samúdio? Inocente ou culpado? A justiça ainda não respondeu e o corpo da moça continua desaparecido. Mesmo assim a frieza e barbariedade do caso chamaram atenção e ofuscaram o brilho do futebol.

E 2011 vem chegando aí. Um ano que promete novas e boas emoções...


(Fotos: Dilma Rousseff - Divulgação / Mineiros do Chile - AFP [Divulgação] / Terremoto do Haiti - Agência O Globo [Extraída da Internet] / Julian Assange - Macdiarmid-Getty / As demais fotos foram extraídas de blogs da internet - Autores desconhecidos)

29 de dezembro de 2010

Com a palavra: Ivan Sant'anna

Terça-feira, 11 de setembro de 2001. Um dia que poderia ser como os outros, mas que entrou para as páginas da história da humanidade como a data do terror. A manhã tranquila daquele dia, se transformou em um dos mais tenebrosos episódios da história norte-americana. O dia em que o mundo parou para ver as imagens que passavam nos televisores: Aviões atingindo o símbolo do capitalismo americano, o Word Trade Center, em Nova York. O resultado deste episódio, nós que nascemos um pouco antes, sabemos. A guerra deixou de ser fria, e passou a ter cunho religioso. O legado de Maomé foi levado a ferro e fogo, e os homens buscaram o paraíso entregando-se como mártires em nome de suas razões, em nome de Alá. A bipolaridade se definiu entre oriente e ocidente, mas precisamente entre uma nação com interesse dominadores, os EUA e do outro lado, um homem misterioso e que se transformaria em inimigo número 1 de um povo, Osama Bin Laden.


Toda história deste dia, relatos e depoimentos foram compilados em um livro, de narrativa fantástica e que faz uma reflexão sobre os rumos que a humanina tomou e tomará depois daquele dia que o mundo prefere esquecer. O brasileiro Ivan Sant'anna, depois de cinco anos de pesquisa e noites sem dormir [como ele mesmo diz em seu livro] escreve os bastidores deste episódio sobre a ótica dos terroristas, parentes das vítimas e pessoas que estiveram nas torres naquele dia. Plano de Ataque é um fantástico relato dos personagens reais do 11 de setembro. Personagens que estiveram direta e indiretamente relacionados com este dia que entrou para a memória da humanida, como um dia de terro, um dia que não tem fim, e um dia que escreverá os próximos capítulos de nossa história.

28 de dezembro de 2010

Beijar, verbo intransitivo

O beijo é a coisa mais íntima de uma pessoa. Eu o vejo assim. Mesmo com a banalização das coisas, da pegação e do tudo liberado, eu acredito que essa é coisa mais única e mais importante que as pessoas podem oferecer. Em primeiro plano, claro. As outras se conquistam com o tempo. Beijo é a porta de entrada. Nenhum casal começa sem antes se beijar, exceto alguns dos velhinhos que eu conheço, que tiveram seus casamentos arranjados. Ainda bem que os tempos mudam. Mas beijo é igual gosto, cada um tem um tipo. Um beijam bem, outros muito bem. Tem beijos intensos, inesquecíveis e com gosto de bis, de quero mais. O beijo é tão particular e ao mesmo tempo tão singular que faz a gente se apaixonar. É difícil até de escrever. Beijar não é bom, é bótimo. Essa lição que aprendi com o trabalho das prostitutas. Elas vão lá fazem mundos e fundos, literalmente. Se vendem como produtos de vitrine mas não beijam seus clientes. Eu sei que nem todas fazem isso, mas a maioria delas preservam. Beijar é tão divino que se chega a tocar os céus ou mesmo sentir voar quanto um lábio encontra o seu. E quando se beijar é uma troca, um laço, eu ousaria dizer que é um cordão umbilical. Você sabe que um dia ele tem que ser cortado, mas jamais esquece que você beijou.

27 de dezembro de 2010

Devaneio

Madrugada de sábado: Depois de um tweet, um devaneio, um pensamento, um pequeno texto.

Às vezes eu paro para tentar compreender o que é a felicidade. Dizem que ser feliz é fazer o que se gosta, o que se deseja. Buscar a felicidade é como ir atrás da mais preciosa joia, aquela cobiçada por todos, mas que só você, lá no fundo, sabe a representação disso. Ser feliz implica em escolhas, escolhas implicam em seleção, e seleção significa deixar alguém de fora.
Ó vida tirana, carrasca e muitas das vezes cruel. Viver é pagar um alto preço por tudo isso, é abrir mão de algumas coisas em prol de outras, é traçar o tal caminho da felicidade. Mas que caminho? Andar mais que as próprias pernas e conseguir ir a um lugar onde você nunca foi, mas sempre quis ir... E sabe a hora que a gente fica feliz e vai dormir? Quando a gente fecha os olhos e vai, sem medo, sem saber, sem acordar jamais.

24 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal

Quando eu era mais novo, acreditava que o Natal era uma época boa. Não que eu tenha esquecido da essência desta data, mas que antigamente eu a esperava com mais ansiedade. Naquele tempo minhas visões se direcionavam apenas para a chegada do "bom velhinho" e dos presentes que ele trazia para mim. Lembro que em todas as noites do dia 24 de dezembro, colocava os meus sapatos atrás da porta, para que no dia seguinte encontrasse os tão aguardados presentes. E essa rotina aconteceu por um bom tempo. Ser criança é bom por isso, porque na nossa inocência, acreditamos nas magias e nas histórias próprias desta época natalina. A gente cresce, vem as responsabilidades, os compromisso e os desafios. A vida se revela como ela é e a magia vai ficando um pouco para trás. Hoje, eu olho para o Natal com certo receio. É uma época de união, mas ao mesmo tempo de "intimidades forçadas", é época de partilha, mas ao mesmo tempo de diferenças. Infelizmente, o pão não está em todas as mesas, os presentes não chegam a todas as mãos e o Natal não é o mesmo para todos. E são barreiras criadas por nós neste mundo onde o ter e não o ser tem importância. Tudo se resumiu a ganhar presentes, a comprar presentes e se contentar com este pouco. Quando a idade vai passando (apesar de ainda ser novo, diga-se de passagem) e a gente vai conhecendo um pouquinho da vida, ficamos um pouco esquisito. É o mal do tempo. É aquele coisa de comida sem tempero, meio sem sal, eu diria, que vamos ficando mais ranzinza, implicantes, e deixamos o brilho e as crenças da infância meio de lado. Se Natal é tempo de reflexão, eu refleti demais e fiquei meio assim, discrente. O dia é para comemorar, eu sei. É para reunir a família, colocar os papos em dia, confraternizar esse momento de renovação e captar energias para um outra jornada que em poucos dias vai se iniciar. Mas como celebrar uma festa que simboliza o amor, sem pensar no próximo, nas diferenças, no problema alheio?
A verdade é que presentes, Papai Noel e mesa cheia e com fartura não vão substituir o real sentido deste momento. Natal para mim é congraçamento, partilha e renovação. O dono da festa, que muita das vezes é jogado para o segundo plano, nos inspira a fazer diferente, a olhar para frente e a recomeçar: é preciso ser criança, ser criança de coração. Que este Natal em especial, seja uma resposta a nossos questionamentos, auxílio em nossas fraquezas, proteção em nossas necessidades, luz para os nossos caminhos. Que este natal seja todos os dias, em cada manhã e em cada minuto. Que nosso Natal seja DEUS, esta fonte inesgotável de graça, paz e amor.

"Quem tem Deus, nada lhe falta. Só Deus basta." - Santa Teresa D'Ávila

Esta não é uma mesagem sem esperança, muito pelo contrário. Este é um convite para que o seu natal, ou melhor o nosso, seja um natal verdadeiramente de verdade. Um natal com sentido e muito abençoado. Que saibamos dar valor as coisas que realmente importam, e que está data seja o ponto de partida para as coisas boas e as esperanças que os próximos dias nos reservam. A você o meu sincero abraço e meus votos de um santo e abençoado Natal!

9 de dezembro de 2010

Fatalmente

Ele aguardava algum sinal. Sentado na cama, ele pensava nos beijos e nos encontros de um curto relacionamento. No pensamento, trazia a vontade de fazer tudo aquilo de novo. Foi para o banho, desfez a barba, se untou de cremes e ficou bonito. As horas se passaram e nada. Nenhum recado, mensagem ou sinal, nem mesmo por telepatia. No criado mudo, um pedaço de papel serviu de refúgio. Com os olhos lacrimejados e a mão trêmula, conseguiu desabafar nas letras:


“Hoje eu acordei esperando uma ligação sua. Tomei banho, vesti a melhor roupa que tenho e me perfumei só para te ver. Depois de um tempo, eu descobri que existe mais você em mim do que eu pensava, e estava contando as horas e esperando o momento para lhe falar isso. Queria dizer como você é especial e como todos os nossos encontros foram bons e agradáveis. Sim, as palavras que você sempre quis escutar seriam ditas sem esforço nenhum. Mas não, parece que toda a minha investida foi em vão, ou se perdeu pelas curvas da cidade. Sinceramente, isso me cheira a sintomas de desistência, e prefiro acreditar que sim. É melhor ter desistido, do que ser indiferente a mim. A indiferença é traiçoeira, sufoca e mata aos poucos. Eu queria comprar a maior batalha com o mundo, lutar até o fim, mas fui vencido pela guerra. Uma guerra que eu mesmo criei e que saio dela, perdedor. Entre erros e acertos, vitórias e derrotas, sou feliz pelo que aconteceu. O destino, responsável por nos unir, será o mesmo que escreverá os próximos capítulos de nossa tão breve história. Mas ainda te aguardo...”

Suspirou. Olhou para frente, viu sua imagem projetada no espelho e deu um sorriso. Era preciso continuar. Tomou seu chá e foi aproveitar as belezas que aquele dia, e a vida, lhe oferecia.

7 de dezembro de 2010

Bastidores

Ser jornalista não é uma coisa tão simples. Os bastidores de uma reportagem sempre mostram a dificuldade encontrada pelo repórter para levar tudo claro e entendido para o leitor. O texto de hoje se encaixa nesta ideia. A princípio, ele foi feito para uma das disciplinas da faculdade, mas resolvi compartilhar com vocês aqui. Dá uma olhada aí no que a gente passa...

Making Of: Os bastidores da reportagem

Já dizia o personagem Giovani Improta da novela “Senhora do Destino”: “O tempo ruge e a Sapucaí é grande”. O jargão que ficou famoso no Brasil durante a exibição do folhetim global é o “abre-alas” dos bastidores de nosso trabalho integrado. Fazer jornalismo é semelhante à preparação de uma escola de samba que vai entrar na avenida.

Carro alegórico, fantasia e o som da bateria balançam a plateia que contagiada entra no ritmo e cai na dança. A escola durante a sua passagem, tem que desfilar impecável pelo sambódromo e arrastar a multidão. O jornalista é o mestre-sala e sua matéria a porta-bandeira. Sua função é sambar diariamente na busca da melhor matéria, dos melhores personagens e saber encantar seu leitor com um gingado textual, que faça o leitor viajar em cada letra do texto.

Sambamos, rebolamos, dançamos e desfilamos com nossa escola. Nosso trabalho surgiu nas discussões de sala de aula. A princípio gostaríamos de fazer algo sobre a Leishmaniose, porque a cachorrrinha da Carla, coitada, está infectada pela doença. O Carlos evitou ao máximo fazer alguma matéria sobre área social. E a Fernanda, entrou na linha pacificadora adotando a política do “qualquer tema eu faço”.

Depois de muita conversa, muitas discussões chegamos ao tema da Poluição. Apesar do assunto ser bem clichê e estar em evidencia, gostaria de reunir em uma única reportagem os tipos de poluições que os moradores de Belo Horizonte são obrigados a conviver diarimente.

Nossa escola fez o samba enredo. Dividimos as tarefas: Carlos se encarregou de escrever a proposta do tema e Fernanda e Carla a pauta. Tema e pauta aprovados foi a hora de cair na avenida e mostrar o gingado. A carnavalesca Sandra Freitas deu as dicas, passou contatos e nos ajudou a criar a linha de abordagem da matéria.

Junto a este carnaval, os trabalhos da faculdade também desfilavam paralelamente. No meio da avenida, as prioridades do grupo se inverteram. “Temos que fazer o ensaio de fotografia, a prova do José Márcio é amanhã, José Maria vai dar exercício de diagramação”, foram as desculpas que empurraram o trabalho integrado.

Nesta hora o fator tempo, que muitas vezes prejudica as escolas em suas pontuações no final do desfile, berrou para a nossa agremiação. A duas semanas da entrega da reportagem foi que o grupo começou a fazer os contatos e marcar as entrevistas. Nesta altura da avenida, o samba-enredo se fechou na poluição visual e nas atividades desenvolvidas na cidade para conter este problema.

Considerando que as principais fontes da matéria eram relacionadas a prefeitura, e sabendo que essas fontes muitas das vezes arranjam muitas desculpas para não atender a imprensa, conseguimos driblar esta questão. Vicente Arhur recebeu a equipe na prefeitura e conversou por mais de duas horas sobre o movimento do qual gerencia, ainda ajudou a contactar com todos os outro órgãos do município responsáveis pela limpeza e resguardo do patrimônio urbano. E fomos.

Fernanda e Carla se encontraram com o secretário municipal de segurança urbana e patrimonial, Corenel Bicalho. Tiverem com ele por mais de uma hora e receberam as informações mais relevantes sobre o assunto. Tiveram também com o pessoal do projeto Guernica, que serviu como assunto de uma das retrancas de nossa reportagem. E o samba continuou...

Para fazer as fotografias o grupo faltou às aulas de jornalismo especializado. Desfilamos pela Rua Padre Eustáquio de cima para baixo atrás de personagens para serem entrevistados e fotografados. Conseguimos falar com algumas pessoas, mas fotos se recusaram a posar. Uma das pessoas entrevistadas foi tão simpática, que convidou o grupo a entrar na sua casa para poder conversar. Tivemos que bater de porta em porta, atrás de personagens que ilustrassem o dilema da pichação.

A bateria aquecia o som e o tempo pedia a evolução da agremiação. Passamos para a escrita da reportagem, na qual cada um ficou responsável por uma parte. Mas nem tudo são flores, e nesta etapa da matéria o grupo entrou em conflito. Faltando algumas horas para o desfile acabar, tivemos que recomeçar do zero, deixar as divergência e escrever o texto de novo.

Fazer carnaval não é fácil, agitar a plateia muito menos. O desempenho de uma escola de samba se dá nas notas que ela obtém na apuração. E quanto a isso, apesar de tanto esforço, cobranças, desentendimentos, agradamos os jurados: “Acadêmicos da Poluição Visual, nota 30!”.

Desta atividade fica a lição do planejamento, da dedicação e do trabalho de antecedência. O sucesso de uma escola de samba só acontece devido aos planejamento que começa logo no fim de um carnaval, ou seja, a um ano antes dela entrar novamente na avenida. O tempo passa e ela tem que dar conta, tem que ser a melhor, pois as pessoas a aguardam na arquibancada para aplaudir, sambar, fazer festa, afinal, a alegria do carnaval, e também do jornalismo, está no encantamento, está no show que ambos podem fazer. Um show que não pode parar.

30 de novembro de 2010

Comemorar

Há exatos 365 dias eu estou por aqui. Como o tempo passa rápido, não? Em doze meses, fiz deste "domínio" um espaço em que eu pudesse escrever, dizer e falar sem medo. Transformei os meus pensamentos em palavras para compartilhar com vocês.
Depois de um ano, o que dizer? Para bem da verdade eu não sei, mas de praxe, agradecer as mais de 4.300 visitas e os 25 seguidores que acompanharam as minhas 110 postagens e as outras que virão por aí. Lembro como tudo começou, da minha conversa com a Bruna Carmona no MSN sobre os possíveis nomes para este espaço, até que surgiu "Domínio Particular", e à 00:37, do dia 30/11/09, fiz a primeira postagem e não parei mais.
Que a inspiração nunca termine e que caminhemos juntos. Refaço o convite da primeira postagem: "Vem comigo que no caminho eu te explico", e assim nós vamos. Topa?

29 de novembro de 2010

Considerações

Um momento se define pela sua intensidade, pela companhia e do jeito que ele ocorre. Essa vida é mesmo engraçada. Cria conexões interessantes e desperta setimentos diferentes da experiência. Nos faz sentir abraçados por um energia incomum. Energia que movimenta, que dá força, que faz a gente se apaixonar e que depois, provoca ansiedade em viver tudo de novo, e nos faz atirar. Atirar nas águas deste mar.


"Inútil você resistir ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para as bodas
que ninguém sabe quando virão,
se é que virão."
(C. D. de Andrade - Não se mate)

24 de novembro de 2010

Can't Stop, ok?

Hoje serei breve, aliás, a postagem que agora faço surgiu por três elementos: uma cobrança, uma música e um banho. Já fazia alguns dias que eu não passava por aqui. As últimas semanas foram un tanto desgastantes e exigiu minha total dedicação. Vontades não me faltaram de escrever me faltou foi tempo. Um pouco mais cedo, recebi uma intimação: "Ei, o blog tá precisando de novidades, tá na hora de postar...". A frase soou impactuosa. É, tava na hora de tirar a poeira e as teias de aranha que aqui jaziam. Coloquei o fone, abri o programa de música e passando pela minha seleção, resolvi escutar Red Hot Chili Pepers, mais precisamente: Can't Stop. Na melodia e no agito da canção, a última frase da música me chamou a atenção, é mais ou menos assim: "This life is more than just a read thru" (Essa vida é mais do que só aprendizagem). Fui para o banho, pensando nisso, e me veio uma frase na cabeça, uma ideia solta entre muitas outras: Viver é aprender, aprender é construir e construir é marcar presença. Que complexo! E dei tantas voltas. Logo eu, que disse que seria breve nesta postagem...

Em suma,
Cobrança + red hot chille pepers + ideia filosófica no meu do banho = nova postagem, e a lição de que nunca é tarde para correr atrás do prejuízo, afinal quem constrói o nosso próprio enredo, somos nós mesmos.

Cobre, ouça, pense = Aprenda...

7 de novembro de 2010

Letra

Existem dias e dias, casos e acasos, erros e tropeços. E na dualidade da vida que o aprendizado se aflora. Tem dias que as palavras vem aos montes, cai como tempestade. Tem dias que nada vem, nem mesmo o ânimo. Por hoje, R.E.M fala por mim. É na música que extraio um pouco de sabedoria para hoje, para amanhã, para a eternidade.

(Tradução) Everybody Hurts - Todo Mundo Se Machuca (R.E.M.)

Quando seu dia é longo
E a noite - a noite é solitária,
Quando você tem certeza de que já teve o bastante desta vida,
Continue em frente

Não desista de si mesmo,
Pois todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes...

Às vezes tudo está errado,
Agora é hora de cantar sozinho.
Quando seu dia é uma noite solitária (aguente firme, aguente firme)
Se você tiver vontade de desistir (aguente firme)
Se você achar que teve demais desta vida,
Para prosseguir...

Pois todo mundo se machuca,
Consiga conforto em seus amigos.
Todo mundo se machuca...
Não se resigne, oh, não!
Não se resigne
Quando você sentir como se estivesse sozinho.
Não, não, não, você não está sozinho...

Se você está sozinho nessa vida,
Os dias e noites são longos,
Quando você sente que teve demais dessa vida para
seguir em frente

Bem, todo mundo se machuca
Às vezes, todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes
Mas todo mundo se machuca, às vezes
Então aguente firme

Aguente firme, aguente firme...
Todo mundo se machuca
Você não está sozinho

3 de novembro de 2010

Metanoia - Pequeno fragmento

De repente a gente muda. Coisas que até ontem eu achava graça, hoje já não faz sentido nenhum para mim. O bom da vida é poder fazer diferente sempre, independente da opinião de qualquer um. Os atos variam, os desejos mudam e a vontade de superar os problemas é cada vez maior. É questão de escolha, opção pessoal, e a minha se volta completamente ao desejo de mudar, mudar diariamente...

11 de outubro de 2010

Criança...

Na véspera do dia das crianças, uma crônica de Janusz Korczak - Como amar uma criança (1984)

A criança que você pôs no mundo pesa 10 libras. É feita com oito libras de água e um punhado de carbono, cálcio, azoto, sulfato, fósforo, potássio e ferro. Você deu à luz a oito libras de água e a duas libras de cinzas. Assim cada gota de seu filho era o vapor da nuvem, o cristal da neve, da bruma, do orvalho, da água da nascente e da lama de um esgoto. Milhões de combinações possíveis de cada átomo de carbono ou de azoto.
Você apenas reuniu o que já existia.
Olhe a Terra suspensa no infinito.
O Sol, seu próximo companheiro, está a 50 milhões de milhas.
Nosso pequeno planeta não é mais que 3.000 milhas de fogo recoberto por uma película que tem apenas dez milhas.
Sobre essa fina película, um punhado de continentes jogados entre os oceanos.
Sobre esses continentes, no meio das árvores, arbustos, pássaros e animais – o ruído dos homens.
Entre estes milhões de homens, está você, que deu à luz a um homem a mais. O que é ele? Um galinho, uma poeira – um nada.
É tão frágil que uma bactéria pode matá-lo; uma bactéria que aumentada mil vezes é apenas um ponto no campo visual.
Mas este nada é irmão das vagas do mar, do vento, do relâmpago, do Sol, da Via Láctea. Este grão de poeira é irmão da espiga do milho, da relva, do carvalho, da palmeira, irmão de um passarinho, do filhote de leão, de um potrinho, de um cãozinho.
Neste nada há qualquer coisa que sente, deseja, observa; que sofre e que odeia; que é feliz e que ama; que tem confiança e que duvida; que acolhe e que rejeita.
Este grão de poeira encerra o seu pensamento as estrelas e os oceanos, as montanhas e os precipícios. E o que é a essência da alma senão todo o Universo, faltando apenas as suas dimensões.
É esta a contradição inerente ao ser humano: nascido de um quase nada, Deus está nele."

4 de outubro de 2010

31 de outubro a gente decide

Nem Dilma, nem Serra. No primeiro turno das eleições para presidente do país, Marina Silva roubou a cena e ganhou destaque, deixando a disputa para o pós-Lula ainda mais emocionante. Os seus quase 20 milhões de votos em todo o país embaralhou uma eleição, que segundo as pesquisas, poderia ter sido definida neste 03 de outubro.
O desempenho da candidata do PV no último debate antes do pleito elevou a sua preferência entre o eleitor e causou uma estagnação nos número de Dilma e Serra. Levando em conta os votos nos estados Marina faturou no Distrito Federal, com 41,96% dos votos válidos, mas no panorama geral, os votos recebidos foram insuficientes para para levá-la ao segundo turno.
A partir de agora as campanhas da petista e do tucano vão em busca de seus eleitores e principalmente do apoio de Marina Silva. Em seu discurso, Marina defendeu uma discussão ampla entre a cúpula do PV que participou da campanha à presidência. São 21 pessoas, dez assessores escolhidos por Marina e dez representantes escolhidos pela sua legenda, além do presidente do partido, José Luiz Penna. Considerando as bases nas candidaturas estaduais, PSDB e PV parecem ser mais íntimos. Nesta José Serra pode sair lucrando.
Os próximos dias prometem reviravoltas no campo político nacional. Se a companhia de Lula era o aconchego do primeiro turno, o pulso firme e o apoio de Marina a um dos candidatos no segundo turno pode definir a(o) dona(o) da faixa presidencial nos próximos quatro anos. Quem conseguir juntar a sua bandeira ao verde da acreana começa a disputa com pelo menos 19.636.335 votos. A cadeira mais cobiçada do Brasil está em jogo.

2 de outubro de 2010

Yes, we can

A diretora da sucursal da Revista ÉPOCA no Rio de Janeiro escreveu em sua última coluna na edição nº 645 do dia 27 de setembro de 2010, um artigo com o seguinte título: A Marina do dedo verde. Reproduzo um trecho do texto:

"Dilma perdeu a fachada de paz e amor e reagiu com fúria às denúncias na imprensa. "Ela teve uma recaída. Parecia até ela mesma", teria dito um aliado da petista, segundo a Folha de São Paulo. A outra má impressão da semana foi a entrevista de José Serra ao Bom Dia Brasil, na TV Globo. Não deixou que os jornalistas perguntassem quase nada. Impedia apartes, num tom professoral e prepotente que afasta até seus eleitores. A uma repórter do humorístico CQC, da Bandeirantes, Serra perguntou se ela tinha namorado. Não é a primeira vez que perde a noção. Sem plásticas ou cabeleireiros, Marina cresceu de estatura ao longo da campanha. Seu discurso a princípio ambientalista ampliou-se e ganhou consistência no campo dos valores e da ética. Mesmo que a enorme maioria dos brasileiros não vote nela, sabe-se o que a sua candidatura representa: uma terceira via, de olho no desenvolvimento sustentável do século XXI, que não comporta esmolas para uma massa tutelada e semianalfabeta. Quando deixou o governo Lula, após a queda de braço com Dilma, Marina afirmou: "Perco o pescoço, mas não perco o juízo". E não perdeu mesmo"

Em menos de 24 horas o eleitor brasileiro vai as urnas escolher os seus governantes. Os discursos foram feitos, as propostas apresentadas e agora cabe a nós decidir o caminho a ser tomado. Dizem que o voto é a nossa maior arma, pois então vamos nos armar. Entre a polarização do vermelho e o azul, parece que o verde de Marina Silva oferece-nos ações diferentes. Vamos com ela para o 2º turno!

22 de setembro de 2010

Além do dicionário

Qual a diferença entre "precisar" e "necessitar"? Aparentemente, os dois verbetes do dicionário parecem ter a mesma significação, mas eu queria ultrapassar o campo semântico e ir além. Precisar e Necessitar são palavras "dizigóticas", eu diria. E é em cima desse termo da biologia, que quero mostrar que o semelhante é mais divergente do que a gente pensa. A necessidade é vital, enquando o precisa é efêmero. Necessitar é questão de sobrevivência, tem paixão e move a vida. A necessidade está embutida na essência do viver, nos nosso hábitos e no dia-a-dia. É preciso comer para viver, é preciso errar para aprender, e preciso a chuva para que o tempo se refresque. O necessário tem a ver com dependência, com o que não se vive sem. Precisar é menos profundo, é algo que atinge expectativas e logo cessa num estalo de realizações. E por aí vai. São ciclos que se repetem e vontades que se explodem. Necessito dizer, mas preciso ficar calado.

12 de setembro de 2010

Aos bons entendedores

Hoje fiz a digitalização de um pequeno texto que escrevi na tarde deste domingo. Usando tecnologia e aproveitando o espaço, faço esta postagem. O texto é o seguinte:

"Mais um dia, o pobre cavaleiro descia apressadamente para a sua terra. Homem corajoso que só, carregava na bagagem experiências que a vida lhe dera: um pouco de nada. O necessário tinha: amor que sobrava."

E é isso. Aos bons entenderores...

29 de agosto de 2010

Prazer em conhecer

E no vai e vem da vida, as coisas acontecem. Planejadas, ao acaso, encontros, destinos que se cruzam sem um porquê definido. Conhecer pessoas é sempre bom. É descobrir valores e visões diferentes sobre o mesmo mundo que se vive. E nestas descobertas, você cativa e é cativado, se permite ao que não é familiar, e depois de uma prosa, uma conversa, ou uma resenha, cria-se uma intimidade tão particular, que você já se põe a discutir sua vida (e seus problemas) com o outro. Grandes amizades podem nascer de um encontro de cinco horas, de um papo de dez minutos pelo telefone, de uma conversa pela internet e até de um beijo. Você se maravilha, encontra igualdades, cria confiança - essa, a mais importante. É por isso que não canso de depositar nas pessoas o papel de escritoras coadjuvantes da nossa vida. Não falo isso, no sentido de que nossas realizações devem ser pautadas pelo que os outros pensam, longe disso. O sentido de escrever, está no agir colaborativo. Aquele que acompanha, que se preocupa, que quer o bem, que manda um alô e que indiretamente está presente. Presença em pensamento. O prazer da vida não está nas coisas boas, mas nas pessoas que ao longo dela, nos proporcionam momentos bons e insubstituíveis. E é isso que move. Muito prazer. Prazer em conhecer você.

23 de agosto de 2010

Aniversário

Da janela do meu quarto, vejo o sol de pôr. Aos pouco o astro-mestre vai se despedindo e colorindo com seus raios, o azul do céu. A magia da natureza é simplesmente encantadora. O sol se vai e a lua chega. As estrelas se aprontam para brilhar numa imensidão escura. Ir e vir, chegar e partir, brilhar e se pôr. Quantos manhãs e quantos dias em 20 anos? Tudo passa tão rápido e vai ficando para trás, que a gente nem se dá conta das coisas que aconteceram. Fica apenas as marcas de noites e dias que se passaram. Fazer aniversário é como renovar o contrato com a vida: Ei garoto, por que não fazer diferente por agora? Um contrato onde multas e cláusulas são definidas por nós mesmos, já que cada caminho e cada direção, parte dos nossos pés. Talvez este aniversário seja diferente de todos. Deve ser amadurecimento, deve ser crescimento, mais eu arriscaria dizer que é mudança. Não fiquei ansioso, não esperei muita coisa, mas desejei incessantemente mudar. Das pequenas, passando pelas médias e chegando as extremas coisas, resolvi que podia ou tentaria fazer diferente. E não é impossível. A vida me grita e me pede reação. É arriscar ou arriscar. Meus sonhos continuam os mesmos, meu sorriso nunca mudou, minha esperança vai comigo aonde eu for e a família e os amigos, não saem do coração. De fato, a riqueza está nas coisas simples, nos sentimentos, numa conversa, numa mensagem de texto, numa carta e nas pessoas que você encontra durante a trajetória. Sou rico. A responsabilidade me chama de tal maneira, a assumir as minhas ações e responder por elas. Iniciativa, eu diria. Olhar a vida, é como ver pela janela, a paisagem que se encontra a disposição. Noites aparecem, mas são seguidas de manhãs calorosas, e ver que tudo isso tem um sentido e um consequente aprendizado, faz acreditar e depositar confiança na vida que se vive, e na vida que se tem pela frente. O que me move é a vontade, é o sonho, a felicidade e uma força superior chamada: DEUS. Hoje são 20, amanhã serão 30,40, 50 e não importa até onde isso vai dar. Escrevo a minha história para a eternidade. Sou sonho, sou vida, sou Carlos Eduardo.

22 de agosto de 2010

Tocando em frente

Um brinde ao novo tempo que se inicia!

Tocando em frente (Almir Sater)

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe,
Eu só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder seguir
É preciso chuva para florir

Sinto que seguir a vida
Seja simplesmente
Conhecer a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Cada um de nós compõe
A sua própria história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

18 de agosto de 2010

E dá-lhe festa!

Foi dada a largada para a festa da democracia nacional. O carnaval das eleições vai ganhando o dia a dia do eleitor, que no próximo dia três de outubro, elegerá os reis (ou rainhas) mômos que vão comandar a farra, ou entrar nela, nos próximos quatro anos. Personagens e fantasias exôticas vão desfilar pelo salão e prometem de um tudo nesta festa. Tem molúsculo de saia, ave hipocondríaca e avatar Shrek (com todo respeito ao personagem). O que não vai faltar é simpatia, muito amor e sorriso no rosto. O baile promete pegar fogo nos dias que se seguem. Bebida, vinho e cachaça, muita por sinal, já estão na dispensa e prometem apimentar, ou melhor, embebedar toda a turma. O que dará mais comicidade a tal festa. Cambaleio para um lado, zonzera para o outro e assim lá vamos. Vai ter confusão e briga pelo copo de bebida. Vai ter porrada por dar em cima da mulher do outro. Vai ter bate-bola, vai ter pingue-pongue (Salve a Gabi!). Nesta festa, nós estamos no camarote, e é bem melhor não se misturar. O negócio é ficar vendo eles se divertirem, contarem suas balelas e finjir que a gente acredita. É observar com atenção a bebedeira de cada um, e salvar aqueles que apresentam controle sob efeito alcóolico. É abandodar nossa fantasia de palhação, a qual estamos naturalmente destinados, e mostrar, de verdade, quem são os donos da festa. Vigiai e observai.

13 de agosto de 2010

E daí?

Eu tinha planos para esta postagem de hoje. Sim, eu tinha. Acontece que eles se perderam em vagas viagens durante o banho. Tinha planos, caminhos e até sugestões, mas ficaram no meio do caminho, como a pedra de Drummond. Foi um estapafúrdio cerebral, eu diria. Talvez para hoje, eu tinha que deixar estas míseras palavras, ante ao discurso tão bem preparado e bem condensado que havia preparado. Talvez hoje não era dia para eu escrever. Casos e acasos. As palavras vêm e vão, mas somem com facilidade tamanha. Eu tava disposto a escrever uma coisa mais leve e tranquila, e o que me restou foi essa confusão psicodélica, que agora obrigo você a ler. Foi só para deixar registrado mesmo essa confusão, essa mostruosidade, esse vácuo medonho. Também, o que se esperar de uma sexta-feira 13? Noite. Sono. Sonho.

11 de agosto de 2010

Força motriz

Eu sou Ação. Nada mais que um conjunto de atitudes. Certas ou erradas, boas ou más, intencionadas ou não. O que me move são motivos pelos quais acho que vale a pena e pelos quais boto fé. Nao é nada ortodoxo, mas uma espécie de depósito em coisa que fazem bem. Se sou o molde da vida, faça das minhas ações, o barro que constitui o jarro. Peça de museu, raridade de valor e insubstituível.

DEPENDE DE MIM
- Charles Chaplin

"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio
marque meia-noite.
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo... ou agradecer às águas por
lavarem a poluição.

Posso ficar triste por não ter dinheiro... ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.

Posso reclamar sobre minha saúde... ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria.... ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar.... ou agradecer por ter trabalho.

Posso sentir tédio com as tarefas da casa... ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.
Posso lamentar decepções com amigos... ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.

Se as coisas não saíram como planejei, posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.

E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim."


9 de agosto de 2010

Resgate

O texto estava perdido entre os milhares de papéis, numa cômoda antiga, em um porão e entregue aos ratos e as traças. No meio daquela baderna misturada com um passado de tal altura, aquela folha de caderno chamou a minha atenção. A grafia estava manchada pelo mofo do tempo, e as beradas do papel já haviam sido devoradas pelos roedores que faziam daquele espaço sua morada. Fui limpar e eliminar os papéis antigos quando me deparei com aquela raridade. Era um texto diferente. Talvez imaturo e menos poético. Mas a temática parece ser a mesma de sempre: a busca pelo manual que nos ensina viver. Foi o pouco que restou, e que eu fiz questão que restasse, de um tempo que não volta mais. Ficam as lembranças e as palavras, que em 2005, eu escrevi naquela folha, hoje amarelada, que agora compartilho com vocês, com algumas modificações, afinal, a gente evolui. E como evolui...

"A sabedoria das nações alcança o espaço aéreo e o aquático, só não alcança o coração dos homens." - C.D. de Andrade

O sonho, o amor

As vezes a vida nos coloca em cada situação, que faz com que nós, seres da razão total, nos tornemos tão pequenos quanto um grão de ervilha. São fatos que ocorrem em fluxo, descompensados, que quase sempre, mudam nossa opinião, nossa postura, nosso modo de ser e viver, pelos simples fato de não sonharmos e amarmos. Vitórias e derrotas, isso é a vida, ou melhor, isso é o esboço da vida. Aprendemos todos os dias que se não formos atrás dos nosso sonhos não conseguiremos nos realizar. E que cada passo e cada iniciativa faz parte de um ato pessoal. Um "eu" protagonista de uma novela feliz. Para chegar lá, temos que atravessar desertos, nadar rios, encarar animais, escalar montanhas e provar do veneno que nos leva a desistir. E diante de situações como essa, que você vê o quão forte e quão sonhador você é. E você vai. Vai a luta de cabeça erguida, sem medo e com coragem. Podemos perder várias batalhas, mas nunca deixar de brigar para vencer a guerra, a grande guerra. Que nosso amor e nossos sonhos, sejam sobretudo de verdade e assim como a brisa e o vento, andem sempre na construção do chamado paraíso. Talvez nosso medo é tentar, talvez é amar ou até sonhar. Fazer tudo isso, vale a pena!

27 de julho de 2010

Palavra Viva

Hoje eu estava sem ideia para escrever, mas queria postar. É uma relação de fidelidade com o blog e com os leitores da qual eu não abro mão, a não ser por motivos justos. Cecília Meireles faz as vezes para mim no post de hoje.
Um cão, apenas - Cecília Meireles

Subidos, de ânimo leve e descansado passo, os quarenta degraus do jardim – plantas em flor, de cada lado; borboletas incertas; salpicos de luz no granito eis-me no patamar. E a meus pés, no áspero capacho de coco, à frescura da cal do pórtico, um cãozinho triste interrompe o seu sono, levanta a cabeça e fita-me. É um triste cãozinho doente, com todo o corpo ferido; gastas, as mechas brancas do pêlo; o olhar dorido e profundo, com esse lustro de lágrima que há nos olhos das pessoas muito idosas.

Com um grande esforço, acaba de levantar.-se. Eu não lhe digo nada; não faço nenhum gesto. Envergonha-me haver interrompido o seu sono. Se ele estava feliz ali, eu não devia ter chegado. Já que lhe faltavam tantas coisas, que ao menos dormisse: também os animais devem esquecer, enquanto dormem… Ele, porém, levantava-se e olhava-me. Levantava-se com a dificuldade dos enfermos graves, acomodando as patas da frente, o resto do corpo, sempre com os olhos em mim, como à espera de uma palavra ou de um gesto. Mas eu não o queria vexar nem oprimir.

Gostaria de ocupar-me dele: chamar alguém, pedir-lhe que o examinasse, que receitasse, encaminhá-lo para um tratamento… Mas tudo é longe, meu Deus, tudo é tão longe. E era preciso passar. E ele estava na minha frente, inábil, como envergonhado de se achar tão sujo e doente, com o envelhecido olhar numa espécie de súplica. Até o fim da vida guardarei seu olhar no meu coração. Até o fim da vida sentirei esta humana infelicidade de nem sempre poder socorrer, neste complexo mundo dos homens. Então, o triste cãozinho reuniu todas as suas forças, atravessou o patamar, sem nenhuma dúvida sobre o caminho, como se fosse um visitante habitual, e começou a descer as escadas e as suas rampas, com as plantas em flor de cada lado, as borboletas incertas, salpicos de luz no granito, até o limiar da entrada. Passou por entre as grades do portão, prosseguiu para o lado esquerdo, desapareceu.

Ele ia descendo como um velhinho andrajoso, esfarrapado, de cabeça baixa, sem firmeza e sem destino. Era, no entanto, uma forma de vida. Uma criatura deste mundo de criaturas inumeráveis. Esteve ao meu alcance, talvez tivesse fome e sede: e eu nada fiz por ele; amei-o, apenas, com uma caridade inútil, sem qualquer expressão concreta. Deixei-o partir, assim, humilhado, e tão digno, no entanto; como alguém que respeitosamente pede desculpas de ter ocupado um lugar que não era o seu.

Depois pensei que nós todos somos, um dia, esse cãozinho triste, à sombra de uma porta. E há o dono da casa e a escada que descemos, e a dignidade final da solidão.

26 de julho de 2010

Why ou Por que?

O tempo parece voar. A impressão que tenho é que os dias não são mais delimitados, fracionados e contados pelas horas. Num suspiro ou num piscar de olhos se perdem preciosos momentos, e que momentos. Deram corda no big clock e esqueceram de pará-lo. E a sensação, é a das mais estranhas possíveis. Um teatro.

"Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!"
(Arnaldo Jabor)

14 de julho de 2010

Sinal de Pontuação

Hoje eu decidi colocar ponto final nessa história. Já havia passado da hora de enterrar de vez, algo que me impedia de ser eu mesmo. Durante este tempo eu fui atrás, insisti, fingi de bobo e fui tratado aos solavancos, afinal, cuspir palavras é a coisa mais fácil que tem. Sinceramente, isso me leva a crer que sou mais do que você precisa e muito além do que você merece. Quer saber, eu vou é buscar novos ares ou simplesmente respirar onde o sopro vem a meu favor. Saio do palco de cabeça erguida e como um perdedor, que com raça, brigou até o final da luta. Para mim já deu. Eu podia jurar de pés juntos que jamais passaria por situação parecida, muito menos que ficaria nessa insistência que agora chega ao seu fim. Tomo postura, retomo minha sã e agora santa consciência para voltar a ser feliz. A verdade é simples e objetiva. Quem constrói a minha felicidade sou eu mesmo, e agora, construirei a minha bem longe dos seus olhos e principalmente dos seus domínios. Não estou lavando a alma, nem regozijando de alegria, mas tenho que me libertar de vez de você, e isso, vai acontecer para o bem ou para o mal. Eu literalmente cansei, e olha que sou duro na queda. Por agora, contente-se apenas com o meu sorriso, é o máximo que posso te oferecer.

13 de julho de 2010

Às

Não vou brigar mais. Se assim querem, assim vai ser. Chega de guerra e insistência. Tomem conta de tudo, apareçam em todo lugar. Explorem este simples mortal que, por ódio declarado, fez de tudo para enfrentá-las, mas vendo que tudo foi em vão, se cansou. Já praguejei, trovejei e senti cólera pelas marcas que vocês, ó infelizez, andam deixando. E por falar em deixar, já entreguei para o tempo. Dizem que ele cura tudo e espero que com vocês não seja diferente. Dominem. Nem remédio, nem ácido, nem nada. Malditas. Malditas espinhas.

12 de julho de 2010

A festa continua em 2014

Nem Maradonna e a sua altivez futebolística, nem a Seleção Brasiliera com o seu título de campeã por antecipação e nem a Espanha que sagrou-se vitoriosa na Copa de 2010 foram capazes de abafar, ou melhor, apagar o brilho das verdadeiras estrelas deste campeonato mundial de futebol. Um trio de protagonistas que atraíram luz, câmera e o comentário do povão. Seu nomes: Vuvuzela, Jabulani e diretamente do aquário, Paul, o polvo vidente.

Em campo, as 32 seleções levaram os seus "melhores". Mais o que seria do hermano uruguaio Forlán e do goleiro-frango inglês Green se a bola não existisse. Para um, Jabulani foi mãe, para o outro madrasta. E assim ela caiu na graça, bateu na trave e foi ovacionada no momento do gol. Para os brasileiros ela era de outro mundo, um ser sobrenatural. Como disse o Cid Moreira: Jaaabuuulaaaaaanii. Bruxa para o goleiro, fada nos pés do artilheiro. Por 145 vezes, jabulani entrou na caçapa e o grito foi de gol. Grito? Barulho? Não, a comemoração foi mesmo no sopro. No sopro da Vuvuzela. Uma verdadeira caixa de marimbondos que entoava as comemorações das torcidas. E nem precisava ter gol para ouvir aquele barulho, digamos que, irritante, mas tipicamente africano. O jeito africano de celebrar o futebol e sediar o maior evento esportivo do mundo, que atravessou as barreiras continentais.

No Brasil ou no Japão, na Itália ou na Coréia do Norte, lá estava a vuvuzela embalando a emoção do torcedor. Nas ruas, nos bares e em toda esquina, os comentários eram únicos: futebol, futebol e futebol. Bolão para todo lado. Quem ganha esse jogo? Quem marca o gol? Quem levanta a taça? Teve gente que se transformou num expert em futebol. Analisava a partida, fazia o comentário e dava palpite: "Acho que quem vai ganhar essa copa é a Alemanha. O time está impecável é uma seleção com média de idade baixíssima, os caras correm que nem passarinho. Eu aposto todas as minhas fichas neste time". Deu com os burro n'água. E foi da água, do áquário de Oberhausen (na Alemanha) que a versão molúscula da Mãe Dinah surgiu. Com seus tentáculos misteriosos e com uma aparência medonha, Paul - o polvo vidente, acertou todos os ganhadores dos jogos que fez previsões. Ainda bem que Iniesta e Paul estavam, um no jogo e outro no palpite, com a Fúria espanhola.Depois de um mês e encerrado este evento que arrasta multidões e que mexe com os nervos, com o emocional e com a alegria das pessoas, a gente sente até falta de copa do mundo. Agora é só daqui a quatro anos. E poderemos acompanhar esta festa do terreiro da minha, da sua e da casa de qualquer brasileiro. Paul não deve viver até lá. Jabulani aposentou nos jogos da África e deve mandar uma irmã mais nova e mais tecnológica para 2014. Já a vuvuzela, pode ser que dure, mas certamente ganhará a companhia do tambor, do batuque e do agogô. Retoques tipicamente brasileiros, para uma copa no Brasil e movida por uma nação de apaixonados por futebol, cujo espetáculo já está garantido. Sai o Waka Waka - e viva a África! - e chega o "Brasileirinho". É ritmo, é paixão, é arte, é hora de trabalhar, 2014 já pede passagem.

10 de julho de 2010

Sapiência

Immanuel Kant escreveu em seu ensaio "O que é o esclarecimento?", a expressão Sapere Aude que signifca "ouse saber". Sem dúvidas, explorar o mundo e seus pertences nos ajuda a adquirir bagagem o suficiente para começarmos a interpretar, a entender e a criar a ciência das coisas. Um profundo determinismo, que elabora e cria conceitos. A maior riqueza do ser humano é poder conhecer e argumentar sobre as coisas. É a dimensão do contestar, do debater e do pensar. O conhecimento se constrói no tempo e no espaço, no aqui e no agora, no passado e no presente. Ele morre quando você morre, e te acompanha até o cemitério - inseparável. Existem pessoas que transformam sabedoria em status, e é aí que mora o problema. Lembro de uma parábola que basicamente, resume esta ideia:

Um professor, muito culto e preparado, com vários doutorados, resolveu um certo dia, passear. Alugou um pequeno barco para conhecer a paisagem em volta da cidade. Durante o caminho estabeleceu uma orgulhosa conversa com o pescador:
-"Você sabe ler e escrever?"
-"Não senhor, não sei". - respondeu com simplicidade o pescador.
Com ar de superioridade, o professor disse: "Você perdeu metade de sua vida por não saber ler e escrever".
Cabisbaixo, um pouco humilhado, o pescador continuou o percurso. Mas o professor não parava de perguntar:
-"Você entende de negócios, de política?"
E o pobre pescador respondia: -"Não senhor, só entendo de peixe".
Ironicamente o professor disse: -"Você perdeu mais uma parte de sua vida".
Neste momento, no meio do rio, uma pedra atinge o barco e o pescador perguntou: -"Você sabe nadar?". -"Não", respondeu o professor.
-"Pois então o senhor perdeu a vida toda, o barco está afundando".

A sabedoria não é um produto que se disponibiliza em mercado. Não se compra e nem se vende. Se adquire. Ser sábio não está nos livros, nos títulos, nos diplomas e nas medalhas. A sabedoria está na vivência e na prática, e sobretudo no servir aos demais Cristo nos disse que aquele que deseja ser o primeiro, deve ser o último. É preciso conhecer tudo, mas com humildade e compaixão, sem espírito de superioridade e altivez. O verdadeiro sábio utiliza sua sabedoria com sabedoria.

2 de julho de 2010

Brasil: do futebol e dos brasileiros

Nunca o Brasil é tão Brasil como em época de Copa do Mundo. Pelas ruas, o verde e o amarelo vão ganhando destaque e tomando o espaço. Desfilar com a camisa da seleção é patriotismo, balançar a bandeira é torcida, gritar GOL é desejo e empolgação. Todos este apetrechos que paramentam e compõe o figurino do torcedor saem dos armários de quatro em quatro anos. "É a melhor seleção do mundo!", "Brasil vai ser campeão concerteza!", "Vamos ganhar de goleada" são os clichês mais ouvidos do Oiapoque ao Chuí, e com razão. Os cinco campeonatos conquistados, a hegemonia do futebol mundial, a fábrica de craques, parece nos convencer que nós somos os "fodões" da bola, os favoritos incontestáveis ao título, as mãos que sempre segurarão a taça. A expectativa é sempre a mesma. Campeão e Brasil no dicionário do futebol e do povo brasileiro são palavras sinônimas. Num país onde a fome e a sede matam, a educação e a saúde carecem, onde a política é marcada pela corrupção e a segurança uma incógnita, parece ser o futebol a linha e a agulha que une uma nação que, nesta época, não se intimida em dizer: "Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!". Seleção em campo, país parado e acompanhando os 90 minutos de bola rolando. Aula, trabalho, cirurgia, exame, depósito bancário e velório ficam para depois, é hora de ver os mestres da bola, canarinhos do futebol que alçam voos em direção ao gol. 23 jogadores que representam uma nação de corações unidos numa mesma voz. Voz que grita, que torce, que critica, que chinga, que se desespera e que comemora.

Temos a convicção que o futebol é produto genuinamente brasileiro, e que nem sempre, o vento sopra a favor. Temos o dom, mas as vezes o dia não favorece. O futebol é carrasco. Arma a arena, põe a torcida e solta os gladiadores. No duelo de gigantes, apenas um sai com a vitória e com a glória. Glória essa, que mais uma vez ficou pelo caminho. Foram quase quatro anos acompanhando a "Era Dunga". Quatro anos de ensaio para fazer bonito e soltar o grito do hexa que ficou preso em 2006. Revolução geral. O "professor" não gosta de bagunça. Comprometimento e dedicação à camisa é a palavra da vez. No meio do caminho não tiveram pedras, pelo contrário, a família do Dunga estendeu-se aos sete anões. Depois de sagrar-se campeã nos torneios que disputou (ô costume triste que nos persegue...), Copa América em 2007 e Copa das Confederações em 2009, a seleção chegou na África do Sul para o seu maior teste. E a história, a história está bem fresca na sua memória. O gladiador vestiu laranja e na fragilidade do adversário, cortou-lhe o pescoço. O pescoço de um time, de uma técnico e mais 190 milhões de pessoas que distante dali, a cinco fusos horários a oeste, viu a cena que não gostariam de ver: O Brasil eliminado de mais uma copa. O momento não é de culpa, julgar ou responsabilizar a derrota nas costas de ninguém. A eliminação não representa o fim de um futebol vitorioso, invejável e respeitado. Esse espírito de nação deve permanecer firme e forte para o próximo compromisso, que querendo ou não, obrigado ou não, acontece daqui a três meses. O compromisso da urna, da cidadanida e da democracia e que será responsável pelas decisões e pelos rumos tomados nos próximos quatro anos. E por falar em quatro anos, vamos viver intensamente o espírito brasileiros nos próximos 1450 dias, quando em casa, nos prepararemos mais uma vez para jogar junto com nossa seleção e quem sabe, dessa vez, soltar o grito de campeão. É neste mesmo entusiamo que vamos correr atrás de um país melhor, que fará de mim, de você e de todos nós, brasileiros que acreditam em brasileiros e em seu país, e que além do futebol, dão show de garra e superação. Que o Brasil das copas, seja o Brasil dos próximos dias: um Brasil 100% brasileiro.


1 de julho de 2010

Com a palavra: James C. Hunter

Encontrar e depositar no próximo a alegria de viver, certamente é um dos comportamentos mais nobres do ser humano em relação ao seu semelhante. Descobri a dádiva que existe por detrás de sorrisos, olhares e gestos, revela a importância que os demais tem para nós. As vezes tudo isso passa desperecebido por nós, mas nunca é tarde para começar a observar. Somos diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidos que acabamos por notar erros, adversidades e encontramos no outro aquilo que é excessivo em nós. Ninguém escapa ileso deste quesito. A gente sempre repara e dá destaque ao erro e defeitos daqueles que estão ao nosso redor. Há muito tempo, um livro não havia me ensinado lições tão simples e tão significantes, que me fizessem refletir sobre o meu comportamento com as pessoas com as quais me relaciono.
Confesso que as sensações não foram as melhores, afinal, tinha sido muito mais carrasco que defensor, muito mais rádio que microfone, muito mais eu do que eles. O monge e o executivo chegou como um presente de aniversário atrasado e me foi dado por uma pessoa extremamente especial. Alguém com quem aprendi muito ao longo deste tempo e que compartilho o meu crescimento. Achei que essa seria mais uma história de superação, uma metáfora de vida ou uma espécie de brochura com palavras bonitas. Pelo contrário, consegui enxergar erros e falhas que me transformavam numa pessoa egocêntrica e impaciente.
O livro presenteou com atitudes que podem mudar, ou pelo menos contribuir com renovações para minha, para a sua e para as nossas vidas. Transformar água em vinho, eu diria, ou ainda, correr atrás do prejuízo. Em O monge e o executivo, livro de James C. Hunter, as ferramentas para uma liderança e para relacionamento sólidos nos são passadas através de uma literatura simples e cativante, onde amor e humildade, e sobretudo SERVIÇO são atitudes que nos levam ao encontro da felicidade. Felicidade pessoal e coletiva que nos faz sentir melhor como gente e nos aproxima do divino.

30 de junho de 2010

O Haiti também é aqui

Talvez as imagens não mostrem com precisão as catastófres provocadas pelas enchentes na Região Nordeste do país na última semana. Fotos e vídeos não são suficientes e não sintetizam o registro de dor e a perda que centenas de famílias tiveram das poucas coisas que tinham. Cidades mergulhadas na fúria da água que desceu levando tudo: casa, carro, documento, vida. Arrastando sonhos, planos e conquistas. Imagens que impressionam e que fazem recordar as tragédias provocadas pelo terremoto no Haiti e pela chuva no Rio de Janeiro. Embora tenham proporções diferentes, ambos acontecimentos parecem revelar a mesma fotografia: a fragilidade humana diante da ferocidade e poderio da natureza, o choro pelo pouco que se tinha e a esperança por um novo recomeço. Não é preciso estar no local para ter compaixão e solidariedade, cada notícia, cada detalhe e cada ilustração vale mais que qualquer presença. Tanta tristeza, tanto sofrimento, tanta água e pessoas tão necessitadas. Parece contraditório, mas o mesmo Nordeste do Brasil, que em determinados lugares sofre com a falta d'água, é o mesmo que conta os vitimados por ela. Paradoxo do casamento Homem & Natureza, onde causa e consequência se encontram na mesma via, na contramão e com intensidades diferentes. Em determinado momento a colisão é inevitável. Diante da dor dos outros, nos tornamos humanos em essência, nos aproximamos do mundo real, assumimos nossa fragilidade e achamos o valor de nosso limite e principalmente, de nossas limitações.

28 de junho de 2010

O começo...

Hoje o dia foi repleto de boas notícias. Estou muito feliz! Quando se deseja do fundo do coração e se faz por merecer, tudo dá certo! Vocação, dedicação e amor são ingredientes que não devem faltar na salada da vida. A gente tempera, e Deus planta. O paladar agradece!

26 de junho de 2010

Basta

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. "

Chico Xavier

22 de junho de 2010

Com a palavra: Austregésilo Carrano Bueno

Das aventuras na adolência, o envolvimento com as drogas e a internação em um sanatório de Curitiba. Toda essas reviravoltas fizeram de Austregésilo Carrano Bueno, ou simplismente Austry, um indivíduo marcado pelas mazelas do sistema psiquiátrico nos anos 70. É com tamanha descrição dos fatos e preciosidade literária que o autor descreve em detalhes os horrores que viveu na época da internação em seu livro Canto dos Maldito. Depois que o pai encontrou um cirgarro de maconha em sua jaqueta, Austry foi mandado para um hospital pisquiátrico para se tratar e se recuperar do vício. No hospital, muito pelo contrário, presenciou e viveu uma das fases mais tenebrosas de sua vida, pois além de tomar uma série de sedativos, vivia em péssimas condições de higiene e era submetido a sessões de eletrochoques nas têmporas. Foram 21 ao total e que variavam entre 180 a 460 volts, sem falar nas injeções de Haloparidol e Tortulina que massacravam o corpo dos internos. Canto dos Malditos deu origem ao filme Bicho de Sete Cabeças, estrelado por Rodrigo Santoro e dirigido por Laís Bodanzky.

A leitura do livro chegou no momento em que eu me preparava para fazer duas repostagens para o trabalho integral da faculdade. Como pauta, as novas formas de tratamento da loucura. Em aproximadamente um mês mergulhei no mundo da loucura para pesquisar, conhecer e descobrir sobre os bastidores dos sanatórios e das residências terapêuticas, que dão lugar ao hospital e mostram muito mais eficiência no tratamento da loucura. Muitas pessoas não sabem o tamanho da proporção do problema, ou se sabem, preferem omitir. Centrei-me em Barbacena, cidade do interior de Minas Gerais, conhecida pelo clima favorável pelo tratamento psiquiátrico para fazer as reportagens. Saber das atrocidades, dos maus tratos e do descaso com que a maioria dos pacientes fora tratados, me revelou uma história que até então eu desconhecia. Vidas marcadas pela indiferença e pelo abandono. Hoje a situação é completamente diferente do passado, graças a Deus tomaram ciência da tragédia que provocaram na vida de pobres inocentes. Hoje eles vivem bem, possuem de fato uma identidade, viajam para todos os cantos e são donos de sus vida. Tudo é feito longe do hospital, em casas que eles chamam de suas e são responsáveis em ajudar a mantê-las. Conheci histórias de vidas concretas, das quais pude estrair aprendizados. Lembrei-me da fala que o Lourenzo me falava: "Mulecão, existem dois jeitos de aprender na vida: ou errando ou aprendendo com o outro. É melhor aprender com o outro." E aprendizados sobram em Canto dos Malditos. O relato de Austry permanece vivo e nos leva a uma reflexão sobre a maneira como encaramos muitas das coisas em nossa vida. Os menos favorecidos, loucos ou não, contam também com o nosso grito.

No livro, duas partes me chamaram muita atenção. Primeiro a descrição do sofrimento antes e depois de ser submetido ao choque, e segundo, em um dos momentos de recuperação do personagem que encontra na fé, principalmente em Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a saída para os problemas. É emocionante, mas o desfeixo da história é surpreendente. Faço o convite para que você possa ler este livro e também possa mudar certas concepções que você tem a respeito da loucura. Austregésilo morreu em 2008 aos 51 anos vítima de um câncer de fígado. Porém, antes da sua morte foi um militante ferrenho na defesa na luta antimanicomial. Reproduzo agora, um pema escrito pelo próprio Carrano e que está numa das primeiras páginas do livro, como forma de homenagem ao autor e aos santos loucos inocentes que morreram pela negligência dos hospitais psiquiátricos nos tempos de horror:

Sequelas...e...sequelas

Sequelas não acabam com o tempo. Amenizam. Quando passam em minha mente as horas de espera, sinceramente, tenho dó de mim. Nó na garganta, choro estagnado, revolta acompanhada de longo suspiro.

Ainda hoje, anos depois, a espera é por demais agonizante. Horas, minutos, segundos são eternidades martirizantes. Não começam hoje, adormeceram, a muito custo... comigo.

Esta espera, oh Deus! É como nunca pagar o pecado original. É ser condenado a morte várias vezes. Quem disse que só se morre uma vez?

Sentidos se misturam, batidas cardíacas invadem a audição. Aspirada a respiração, não é... é introchada Os nervos já não tremem...dão solavancos. A espera está acabando. Ouço barulhos de rodinhas.

A todo custo, quero entrar na parede. Esconder-me, fazer parte do cimento do quarto. Olhos na abertura da porta rodam a fechadura. Já não sei quem e o que sou. Acuado, tento fuga alucinante. Agarrado, imobilizado... escuto parte do meu gemido. Quem disse que só de morre uma vez?

(Austregésilo Carrano Bueno - Poema das 4 horas de espera para ser eletrocutado/ aplicação da eletroconvulsoterapia)