9 de dezembro de 2010

Fatalmente

Ele aguardava algum sinal. Sentado na cama, ele pensava nos beijos e nos encontros de um curto relacionamento. No pensamento, trazia a vontade de fazer tudo aquilo de novo. Foi para o banho, desfez a barba, se untou de cremes e ficou bonito. As horas se passaram e nada. Nenhum recado, mensagem ou sinal, nem mesmo por telepatia. No criado mudo, um pedaço de papel serviu de refúgio. Com os olhos lacrimejados e a mão trêmula, conseguiu desabafar nas letras:


“Hoje eu acordei esperando uma ligação sua. Tomei banho, vesti a melhor roupa que tenho e me perfumei só para te ver. Depois de um tempo, eu descobri que existe mais você em mim do que eu pensava, e estava contando as horas e esperando o momento para lhe falar isso. Queria dizer como você é especial e como todos os nossos encontros foram bons e agradáveis. Sim, as palavras que você sempre quis escutar seriam ditas sem esforço nenhum. Mas não, parece que toda a minha investida foi em vão, ou se perdeu pelas curvas da cidade. Sinceramente, isso me cheira a sintomas de desistência, e prefiro acreditar que sim. É melhor ter desistido, do que ser indiferente a mim. A indiferença é traiçoeira, sufoca e mata aos poucos. Eu queria comprar a maior batalha com o mundo, lutar até o fim, mas fui vencido pela guerra. Uma guerra que eu mesmo criei e que saio dela, perdedor. Entre erros e acertos, vitórias e derrotas, sou feliz pelo que aconteceu. O destino, responsável por nos unir, será o mesmo que escreverá os próximos capítulos de nossa tão breve história. Mas ainda te aguardo...”

Suspirou. Olhou para frente, viu sua imagem projetada no espelho e deu um sorriso. Era preciso continuar. Tomou seu chá e foi aproveitar as belezas que aquele dia, e a vida, lhe oferecia.

7 de dezembro de 2010

Bastidores

Ser jornalista não é uma coisa tão simples. Os bastidores de uma reportagem sempre mostram a dificuldade encontrada pelo repórter para levar tudo claro e entendido para o leitor. O texto de hoje se encaixa nesta ideia. A princípio, ele foi feito para uma das disciplinas da faculdade, mas resolvi compartilhar com vocês aqui. Dá uma olhada aí no que a gente passa...

Making Of: Os bastidores da reportagem

Já dizia o personagem Giovani Improta da novela “Senhora do Destino”: “O tempo ruge e a Sapucaí é grande”. O jargão que ficou famoso no Brasil durante a exibição do folhetim global é o “abre-alas” dos bastidores de nosso trabalho integrado. Fazer jornalismo é semelhante à preparação de uma escola de samba que vai entrar na avenida.

Carro alegórico, fantasia e o som da bateria balançam a plateia que contagiada entra no ritmo e cai na dança. A escola durante a sua passagem, tem que desfilar impecável pelo sambódromo e arrastar a multidão. O jornalista é o mestre-sala e sua matéria a porta-bandeira. Sua função é sambar diariamente na busca da melhor matéria, dos melhores personagens e saber encantar seu leitor com um gingado textual, que faça o leitor viajar em cada letra do texto.

Sambamos, rebolamos, dançamos e desfilamos com nossa escola. Nosso trabalho surgiu nas discussões de sala de aula. A princípio gostaríamos de fazer algo sobre a Leishmaniose, porque a cachorrrinha da Carla, coitada, está infectada pela doença. O Carlos evitou ao máximo fazer alguma matéria sobre área social. E a Fernanda, entrou na linha pacificadora adotando a política do “qualquer tema eu faço”.

Depois de muita conversa, muitas discussões chegamos ao tema da Poluição. Apesar do assunto ser bem clichê e estar em evidencia, gostaria de reunir em uma única reportagem os tipos de poluições que os moradores de Belo Horizonte são obrigados a conviver diarimente.

Nossa escola fez o samba enredo. Dividimos as tarefas: Carlos se encarregou de escrever a proposta do tema e Fernanda e Carla a pauta. Tema e pauta aprovados foi a hora de cair na avenida e mostrar o gingado. A carnavalesca Sandra Freitas deu as dicas, passou contatos e nos ajudou a criar a linha de abordagem da matéria.

Junto a este carnaval, os trabalhos da faculdade também desfilavam paralelamente. No meio da avenida, as prioridades do grupo se inverteram. “Temos que fazer o ensaio de fotografia, a prova do José Márcio é amanhã, José Maria vai dar exercício de diagramação”, foram as desculpas que empurraram o trabalho integrado.

Nesta hora o fator tempo, que muitas vezes prejudica as escolas em suas pontuações no final do desfile, berrou para a nossa agremiação. A duas semanas da entrega da reportagem foi que o grupo começou a fazer os contatos e marcar as entrevistas. Nesta altura da avenida, o samba-enredo se fechou na poluição visual e nas atividades desenvolvidas na cidade para conter este problema.

Considerando que as principais fontes da matéria eram relacionadas a prefeitura, e sabendo que essas fontes muitas das vezes arranjam muitas desculpas para não atender a imprensa, conseguimos driblar esta questão. Vicente Arhur recebeu a equipe na prefeitura e conversou por mais de duas horas sobre o movimento do qual gerencia, ainda ajudou a contactar com todos os outro órgãos do município responsáveis pela limpeza e resguardo do patrimônio urbano. E fomos.

Fernanda e Carla se encontraram com o secretário municipal de segurança urbana e patrimonial, Corenel Bicalho. Tiverem com ele por mais de uma hora e receberam as informações mais relevantes sobre o assunto. Tiveram também com o pessoal do projeto Guernica, que serviu como assunto de uma das retrancas de nossa reportagem. E o samba continuou...

Para fazer as fotografias o grupo faltou às aulas de jornalismo especializado. Desfilamos pela Rua Padre Eustáquio de cima para baixo atrás de personagens para serem entrevistados e fotografados. Conseguimos falar com algumas pessoas, mas fotos se recusaram a posar. Uma das pessoas entrevistadas foi tão simpática, que convidou o grupo a entrar na sua casa para poder conversar. Tivemos que bater de porta em porta, atrás de personagens que ilustrassem o dilema da pichação.

A bateria aquecia o som e o tempo pedia a evolução da agremiação. Passamos para a escrita da reportagem, na qual cada um ficou responsável por uma parte. Mas nem tudo são flores, e nesta etapa da matéria o grupo entrou em conflito. Faltando algumas horas para o desfile acabar, tivemos que recomeçar do zero, deixar as divergência e escrever o texto de novo.

Fazer carnaval não é fácil, agitar a plateia muito menos. O desempenho de uma escola de samba se dá nas notas que ela obtém na apuração. E quanto a isso, apesar de tanto esforço, cobranças, desentendimentos, agradamos os jurados: “Acadêmicos da Poluição Visual, nota 30!”.

Desta atividade fica a lição do planejamento, da dedicação e do trabalho de antecedência. O sucesso de uma escola de samba só acontece devido aos planejamento que começa logo no fim de um carnaval, ou seja, a um ano antes dela entrar novamente na avenida. O tempo passa e ela tem que dar conta, tem que ser a melhor, pois as pessoas a aguardam na arquibancada para aplaudir, sambar, fazer festa, afinal, a alegria do carnaval, e também do jornalismo, está no encantamento, está no show que ambos podem fazer. Um show que não pode parar.

30 de novembro de 2010

Comemorar

Há exatos 365 dias eu estou por aqui. Como o tempo passa rápido, não? Em doze meses, fiz deste "domínio" um espaço em que eu pudesse escrever, dizer e falar sem medo. Transformei os meus pensamentos em palavras para compartilhar com vocês.
Depois de um ano, o que dizer? Para bem da verdade eu não sei, mas de praxe, agradecer as mais de 4.300 visitas e os 25 seguidores que acompanharam as minhas 110 postagens e as outras que virão por aí. Lembro como tudo começou, da minha conversa com a Bruna Carmona no MSN sobre os possíveis nomes para este espaço, até que surgiu "Domínio Particular", e à 00:37, do dia 30/11/09, fiz a primeira postagem e não parei mais.
Que a inspiração nunca termine e que caminhemos juntos. Refaço o convite da primeira postagem: "Vem comigo que no caminho eu te explico", e assim nós vamos. Topa?

29 de novembro de 2010

Considerações

Um momento se define pela sua intensidade, pela companhia e do jeito que ele ocorre. Essa vida é mesmo engraçada. Cria conexões interessantes e desperta setimentos diferentes da experiência. Nos faz sentir abraçados por um energia incomum. Energia que movimenta, que dá força, que faz a gente se apaixonar e que depois, provoca ansiedade em viver tudo de novo, e nos faz atirar. Atirar nas águas deste mar.


"Inútil você resistir ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para as bodas
que ninguém sabe quando virão,
se é que virão."
(C. D. de Andrade - Não se mate)

24 de novembro de 2010

Can't Stop, ok?

Hoje serei breve, aliás, a postagem que agora faço surgiu por três elementos: uma cobrança, uma música e um banho. Já fazia alguns dias que eu não passava por aqui. As últimas semanas foram un tanto desgastantes e exigiu minha total dedicação. Vontades não me faltaram de escrever me faltou foi tempo. Um pouco mais cedo, recebi uma intimação: "Ei, o blog tá precisando de novidades, tá na hora de postar...". A frase soou impactuosa. É, tava na hora de tirar a poeira e as teias de aranha que aqui jaziam. Coloquei o fone, abri o programa de música e passando pela minha seleção, resolvi escutar Red Hot Chili Pepers, mais precisamente: Can't Stop. Na melodia e no agito da canção, a última frase da música me chamou a atenção, é mais ou menos assim: "This life is more than just a read thru" (Essa vida é mais do que só aprendizagem). Fui para o banho, pensando nisso, e me veio uma frase na cabeça, uma ideia solta entre muitas outras: Viver é aprender, aprender é construir e construir é marcar presença. Que complexo! E dei tantas voltas. Logo eu, que disse que seria breve nesta postagem...

Em suma,
Cobrança + red hot chille pepers + ideia filosófica no meu do banho = nova postagem, e a lição de que nunca é tarde para correr atrás do prejuízo, afinal quem constrói o nosso próprio enredo, somos nós mesmos.

Cobre, ouça, pense = Aprenda...

7 de novembro de 2010

Letra

Existem dias e dias, casos e acasos, erros e tropeços. E na dualidade da vida que o aprendizado se aflora. Tem dias que as palavras vem aos montes, cai como tempestade. Tem dias que nada vem, nem mesmo o ânimo. Por hoje, R.E.M fala por mim. É na música que extraio um pouco de sabedoria para hoje, para amanhã, para a eternidade.

(Tradução) Everybody Hurts - Todo Mundo Se Machuca (R.E.M.)

Quando seu dia é longo
E a noite - a noite é solitária,
Quando você tem certeza de que já teve o bastante desta vida,
Continue em frente

Não desista de si mesmo,
Pois todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes...

Às vezes tudo está errado,
Agora é hora de cantar sozinho.
Quando seu dia é uma noite solitária (aguente firme, aguente firme)
Se você tiver vontade de desistir (aguente firme)
Se você achar que teve demais desta vida,
Para prosseguir...

Pois todo mundo se machuca,
Consiga conforto em seus amigos.
Todo mundo se machuca...
Não se resigne, oh, não!
Não se resigne
Quando você sentir como se estivesse sozinho.
Não, não, não, você não está sozinho...

Se você está sozinho nessa vida,
Os dias e noites são longos,
Quando você sente que teve demais dessa vida para
seguir em frente

Bem, todo mundo se machuca
Às vezes, todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes
Mas todo mundo se machuca, às vezes
Então aguente firme

Aguente firme, aguente firme...
Todo mundo se machuca
Você não está sozinho

3 de novembro de 2010

Metanoia - Pequeno fragmento

De repente a gente muda. Coisas que até ontem eu achava graça, hoje já não faz sentido nenhum para mim. O bom da vida é poder fazer diferente sempre, independente da opinião de qualquer um. Os atos variam, os desejos mudam e a vontade de superar os problemas é cada vez maior. É questão de escolha, opção pessoal, e a minha se volta completamente ao desejo de mudar, mudar diariamente...