2 de novembro de 2011

Respostas

O peso do sim e do não nos ajuda a escrever os próximos capítulos do enredo. Às vezes a gente se pega ao incerto, às expectativas e vai criando meandros que fogem do fluxo do rio. Não ter respostas é nadar, nadar e não atravessar o mar. É afogar em sentimentos que poderiam ser evitados por simples monossílabos. Além de ser mais objetivo, ter respostas é vital. Prefiro a certeza do vai ou racha, do que a ânsia e a fantasia do talvez. A gente sofre menos, a gente é mais dinâmico e corre atrás do que verdadeiramente é importante e nos faz bem. Difícil é decidir, difícil é tomar partido. Nada mais que um critério de seleção. Um rumo a ser tomado. Respostas que cortam o tempo e o espaço e desviam as direções dos passos.

31 de outubro de 2011

29 de setembro de 2011

Três

"A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida"

Charles Chaplin

Dois

"Mas quando mais nada subsiste de um passado remoto, após a morte das criaturas e a destruição das coisas, sozinhos, mais frágeis, porém mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, o odor e o sabor permanecem ainda por muito tempo, como almas, lembrando, aguardando, esperando, sobre as ruínas de tudo o mais, suportando sem ceder, em sua gotícula impalpável, o edifício imenso da recordação".

Marcel Proust

Um

"Acho a vida curta demais; mal passou a juventude e já estamos na velhice. Eu queria ter cem anos garantidos e o resto na incerteza".

Madame de Sévigné

23 de agosto de 2011

Vezes Mil

Coloquei minha vida na ponta do lápis.
Somei os meus amores aos meus dissabores,
Subtraí o que eu fiz do que eu não deveria ter feito,
Multipliquei os meus erros com minhas dores de consciência e
dividi tudo pelas angústias vividas.

Resultado: Muito me resta. Me sobram força, coragem e vontade para começar do zero e transformar tudo isso em mil: Milagres.

16 de agosto de 2011

Salutar

Julho, 2011. A história abaixo foi baseada em fatos reais e construída na observação de uma cena de angústia e de esperança. Eu estava lá...

A mão que aconchegou o bebê é a mesma que retira o terço envelhecido do bolso e começa a balbuciar uma Ave Maria em compasso. Ela está sentada em um corredor movimentado por macas, pessoas e pela incerteza. A filha atravessa a porta cinza para encontrar com o bisturi e com as mãos treinadas (e talvez, milagrosas) de um homem vestido de verde, a cor da esperança. Estamos em um hospital. O silêncio deste lugar se contrasta com as batidas aceleradas do coração da mãe que compartilha a dor com a filha:

- O meu Deus, quando será que a minha filha vai ser feliz? Ajuda para que essa dor possa passar com a cirurgia.

Os olhos se encheram de lágrimas e aflitas, elas escaparam pelo rosto cansado e abatido da mãe preocupada. Ela precisava pelo menos chorar. Talvez aquele ato fosse o de maior libertação nos últimos 15 dias, quando se dedicara inteiramente a ouvir os prantos de dor da sua carne e em troca, esbanjar um sorriso como se tudo estivesse bem. Um sorriso de fé e confiança, desses que só mãe sabe dar.

Apreensiva, ela alternava as contas do terço a conversas diretas com o seu Deus. Quem olhava para ela, internamente se perguntava: O que se passa na cabeça dessa mulher? O que ela está pensando neste momento? Como está o seu coração? Respostas difíceis e complicadas de serem respondidas.

A mulher que no passado fugiu pelo amor, encontra-se amparada por uma força maior que o seu coração. Não é heroína grega, mas já enfrentou mais de doze batalhas e matou mais de um leão pelas suas crias. Aquela era mais uma. E no fundo, tinha a esperança que tudo terminaria bem. E assim seria.

Foi um pouco mais de 30 minutos que a tiraram da Terra, mas que a trouxeram de volta com um gesto que vinha do início daquele corredor. Por detrás do vidro, o médico fez um aceno e a chamou para explicar como havia sido o procedimento cirúrgico. Um suspiro. Uma evocação. Um Graças a Deus.

O suspiro se transformara em euforia. Ver aquela mulher e seus (pequenos grandes) gestos me emocionou profundamente. Ela representava um amor tão próprio e tão significante que eu não imaginava que existisse. Ela me ensinou o que é o amor por aquilo que se tem, o valor por aquilo que se ganha e a perseverança por aquilo que se espera. Perseverança que se traduzia numa fé inesgotável, numa confiança inabalável e em um amor sem medidas. Um amor que transcende o existencial. Uma vida dedicada por outra.